Formigas do Alto Tietê

Olá a todos!

É com grande satisfação que venho anunciar a publicação do livro “Formigas do Alto-Tietê“.

Trata-se do primeiro livro sobre a fauna de formigas de uma região brasileira, contendo ilustrações e informações relevantes sobre a identificação, história natural e ecologia de mais de 200 espécies de formigas! Ou seja, embora a região abordada seja a Bacia Hidrográfica do Alto-Tietê, uma das mais diversas da Mata Atlântica brasileira, o livro é de grande interesse para mirmecólogos de qualquer região por seu caráter abrangente e informações que dizem respeito a toda a família Formicidae.

O volume é enriquecido por capítulos esclarecedores, escritos por alguns dos maiores especialistas brasileiros, sobre morfologia, sistemática e aspectos ecológicos das formigas.

Orientadores: eis um excelente livro para os alunos que estão ingressando na Mirmecologia em seus laboratórios, pois apresenta, em uma linguagem acessível e completa, vários aspectos da importância ecológica e da classificação de formigas. Uma bela leitura inicial para estagiários, alunos de iniciação científica, pós-graduandos e fonte de consulta segura para todos nós.

A boa notícia se completa com a informação de que o livro é de aquisição gratuita na versão em PDF, tornando-o ainda mais acessível. Aos interessados em uma cópia impressa (que está linda, por sinal!) também é possível fazer o pedido através do link que deixo aqui.

Finalmente, parabéns ao grande esforço da Profª. Maria Santina Morini e da Silvia Suguituru na compilação dos dados que ao longo de muitos anos de dedicação e trabalho culminaram nesta obra. Uma honra poder ter trabalhado ao lado de vocês na preparação deste livro, assim como ao lado do meu amigo Rogério Silva. Parabéns também a todos os grandes nomes que contribuíram com capítulos e discussões.

Boa leitura a todos!

Via Rodrigo Feitosa no grupo Formigas do Brasil

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Resumo com as alterações taxonômicas recentes em formigas

O AntWiki apresenta um bom artigo com um resumo sobre as principais mudanças na taxonomia de formigas no ano de 2014.

Confira no link abaixo!!!

http://www.antwiki.org/wiki/Taxonomic_Changes_-_2014

Para os participantes do CFB este assunto será abordado no Formigas do Brasil.

Cientistas exploram microbiota de formigas em busca de novos fármacos

Não deixe de conferir as notícias da Agência FAPESP

Link da reportagem

11/07/2014

Por Karina Toledo

Projeto reúne pesquisadores da USP e de Harvard e foi aprovado na primeira chamada conjunta lançada pela FAPESP e pelo NIH (foto: Michael Poulsen/capa: Eduardo Afonso da Silva Jr.)

Projeto reúne pesquisadores da USP e de Harvard e foi aprovado na primeira chamada conjunta lançada pela FAPESP e pelo NIH (foto: Michael Poulsen/capa: Eduardo Afonso da Silva Jr.)

Agência FAPESP – Como os moradores de grandes cidades bem sabem, ambientes com grande aglomeração de indivíduos são favoráveis à disseminação de patógenos e, portanto, requerem cuidados para evitar doenças.

Se nós humanos podemos contar com vacinas, remédios e desinfetantes para nos proteger, os insetos sociais – como abelhas, formigas e cupins – também desenvolveram ao longo de milhares de anos de evolução suas próprias “armas químicas”, que agora começam a ser exploradas pela ciência.

“Uma das estratégias usadas por insetos que vivem em colônias é a associação com microrganismos simbiontes – na maioria das vezes bactérias – capazes de produzir compostos químicos com ação antibiótica e antifúngica”, contou Monica Tallarico Pupo, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP).

Em um projeto recentemente aprovado na primeira chamada de propostas conjunta lançada pela FAPESP e pelo National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, a equipe de Pupo vai se unir ao grupo de Jon Clardy, da Harvard University, para explorar a microbiota existente nos corpos de formigas brasileiras em busca de moléculas naturais que possam dar origem a novos fármacos.

“Vamos nos concentrar inicialmente nas espécies de formigas cortadeiras, como a saúva, pois são as que têm essa relação de simbiose mais bem descrita na literatura científica”, disse Pupo.

De acordo com a pesquisadora, as formigas cortadeiras se comportam como verdadeiras agricultoras, carregando pedaços de planta para o interior do ninho com o intuito de nutrir as culturas de fungos das quais se alimentam. “Isso cria um ambiente rico em nutrientes e suscetível ao ataque de microrganismos oportunistas. Para manter a saúde do formigueiro, é importante que tenham os simbiontes associados”, explicou Pupo.

Os pesquisadores sairão à caça de formigas em parques nacionais localizados em diferentes biomas brasileiros, como Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia e Caatinga. Também fará parte da área de coleta o Parque Estadual Vassununga, no município de Santa Rita do Passa Quatro (SP).

A meta do grupo é isolar cerca de 500 linhagens de bactérias por ano o que, estima-se, dê origem a cerca de 1.500 diferentes extratos. “O primeiro passo será coletar os insetos e fragmentos do ninho para análise em laboratório. Em seguida, vamos isolar as linhagens de bactérias existentes e usar métodos de morfologia e de sequenciamento de DNA para caracterizar os microrganismos”, contou Pupo.

Depois que as bactérias estiverem bem preservadas e catalogadas, acrescentou a pesquisadora, será possível cultivar as linhagens para, então, extrair o caldo de cultivo. “Nossa estimativa é que cada linhagem dê origem a três diferentes extratos, de acordo com o nutriente usado no cultivo e a técnica de extração escolhida”, disse.

Esses extratos serão testados in vitro para avaliar se são capazes de inibir o crescimento de fungos, células cancerígenas e de parasitas causadores de leishmanioses e doença de Chagas. Os mais promissores terão os princípios ativos isolados e estudados mais profundamente.

“Nesse tipo de pesquisa é comum ter redundância, ou seja, isolar compostos já conhecidos na literatura. Para agilizar a descoberta de novas substâncias ativas vamos usar ferramentas de desreplicação e de sequenciamento genômico”, disse Pupo.

Também farão parte da equipe o bacteriologista Cameron Currie (University of Wisconsin-Madison), Fabio Santos do Nascimento (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP), André Rodrigues (Universidade Estadual Paulista em Rio Claro), Adriano Defini Andricopulo (Instituto de Física de São Carlos, da USP), James E. Bradner (Harvard Medical School), Dana-Farber (Cancer Institute), Timothy Bugni (University of Wisconsin – Madison) e David Andes (University of Wisconsin – Madison).

A chamada Fapesp/NIH está vinculada ao programa International Biodiversity Cooperative Groups (ICBG), do qual o Brasil participa pela primeira vez.

Início

Segundo Pupo, o projeto colaborativo é uma ampliação do trabalho que vem sendo realizado no âmbito de um Auxílio Regular aprovado em meados de 2013, que também conta com a colaboração de Clardy e de Currie.

“Estamos estudando uma espécie de abelha [ Scaptotrigona depilis] e uma espécie de formiga [Atta sexdens] encontradas no campus da USP em Ribeirão Preto. Nesse caso, exploramos toda a microbiota dos insetos, tanto bactérias quanto fungos, e alguns compostos isolados estão apresentando potencial antibacteriano e antifúngico bastante acentuado”, contou.

O trabalho está sendo desenvolvido durante o doutorado de Eduardo Afonso da Silva Júnior eCamila Raquel Paludo – ambos com Bolsa da FAPESP. Também tem a participação da bolsista de Iniciação Científica Taise Tomie Hebihara Fukuda.

Novidades na Taxonomia de Formigas

Via: Formigas do Brasil

Caros mirmecólogos,

O ano de 2014 está se mostrando um divisor de águas para a taxonomia de formigas. Além dos novos gêneros descritos e já divulgados aqui, duas propostas recentes alteram drasticamente a classificação de táxons tradicionais de formigas, com grande impacto para todos os que atuam na área.

Brady et. al. (2014) recentemente apresentaram uma abrangente filogenia molecular sobre as formigas dorilomorfas e, com base nos resultados, propuseram uma extensa sinonímia de subfamílias neste complexo. As subfamílias que até então reconhecíamos como Cerapachyinae, Ecitoninae e Leptanilloidinae deixam de ser válidas e passam a ser sinônimos de Dorylinae.

Hoje, finalmente, foi publicado o tão esperado trabalho de Schmidt & Shattuck com a reclassificação da subfamília Ponerinae. O principal impacto deste trabalho diz respeito ao desmembramento do gênero Pachycondyla, há muito anunciado e aguardado. As formigas que chamávamos por este nome aqui no Brasil passam a ser representadas por cinco gêneros: Pachycondyla, Mayaponera, Neoponera, Pseudoponera e Rasopone.

A série de alterações na classificação de formigas deve seguir neste ano com a publicação (assim espero!) dos resultados do meu trabalho de Doutorado, no qual proponho que a subfamília Heteroponerinae seja sinonimizada sob Ectatomminae. Assim, em 2014, quatro subfamílias deixam de ser válidas para a mirmecofauna brasileira e, até o momento, seis novos gêneros são adicionados.

Sei que para os colegas de outras áreas que estão finalizando artigos, dissertações e teses estas notícias podem soar desesperadoras. Quem já foi meu aluno em disciplinas, cursos ou palestras sabe que eu costumo encerrar as aulas dizendo que o meu é provavelmente o curso mais ingrato a ser oferecido em mirmecologia, pois momentos após a última aula, o curso normalmente já está desatualizado! Essa realidade nunca foi tão verdadeira! Ainda assim, é com prazer que divido com vocês uma impressão que tenho sobre o atual cenário taxonômico da mirmecologia do Brasil. Nunca tivemos tantos alunos trabalhando em taxonomia de formigas como na geração atual! Mais que alunos, os estudantes a que me refiro pertencem a uma geração extremamente talentosa e que deve contribuir de uma forma sem precedentes para o conhecimento taxonômico das formigas brasileiras e do mundo, obviamente. São mais pesquisadores com os quais os colegas poderão contar para melhorar a qualidade e precisão de suas identificações.

Essa é a dinâmica da sistemática, senhores. À medida em que as ferramentas de análise evoluem e o conhecimento taxonômico se acumula, novas propostas de classificação surgem, cada vez mais estáveis e precisas, contribuindo para a qualidade das inferências feitas em todas as áreas do conhecimento científico. Essa é a nossa missão!

Perdão pela postagem ridiculamente longa! Como dica final para quem quer passar a conhecer as nossas formigas já sob o prisma desta nova classificação taxonômica: Curso Formigas do Brasil 2014! 

Abraços!

Rodrigo Feitosa

Oficial: Inscrições do CFB 2014 abertas

Olá pessoal,

O período de inscrições para o Formigas do Brasil 2014 – Edição Cerrado está aberto. Acessem as informações sobre a edição 2014 e o formulário de inscrição neste link:https://formigasdobrasil.com/cfb/edicao-2014/

Abraço e até Uberlândia!

Fernando, Carla, Rodrigo e Heraldo

Pesquisadora do Formigas do Brasil faz estudo com formigas que avalia a recuperação da Mata Atlântica

Texto publicado originalmente em: agencia.fapesp.br/18753

Estudo com formigas avalia recuperação da Mata Atlântica

14/03/2014

Por Ivonete Lucirio

Insetos são considerados biomarcadores da saúde de um ecossistema; análise em áreas anteriormente ocupadas por eucaliptos foi realizada por pesquisadores da UMC (foto: Silvia Sayuri Suguituru)

Insetos são considerados biomarcadores da saúde de um ecossistema; análise em áreas anteriormente ocupadas por eucaliptos foi realizada por pesquisadores da UMC (foto: Silvia Sayuri Suguituru)

Agência FAPESP – Uma forma de verificar a saúde de um ecossistema é avaliar a variedade de espécies que nele vivem. Pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) valeram-se dessa premissa ao quantificar espécies de formigas de serapilheira em uma região entre as Bacias Hidrográficas do Alto Tietê e do Rio Itatinga, na cidade de Mogi das Cruzes, na divisa com Bertioga (SP).

Serapilheira é uma camada que mistura fragmentos de folhas, galhos e outros materiais orgânicos em decomposição, que fica sobre o solo das matas, formando húmus. O material abriga um rico ecossistema, composto por uma grande variedade de artrópodes, fungos e bactérias. Muitas espécies de formigas que constroem ninhos no solo visitam a região da serapilheira para coletar alimentos.

Ao contrário de formigas generalistas – como é o caso da maioria encontrada em ambientes urbanos –, as que vivem na serapilheira são em geral mais especialistas. Na serapilheira de florestas sem a interferência do homem, ocorrem diversas interações ecológicas que possibilitam a existência de outros pequenos animais que servem de alimento para as formigas.

No caso do estudo “Estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em cultivo extensivo da Eucalyptus grandis dunnil Maiden, em áreas de Mata Atlântica”, coordenado por Maria Santina de Castro Morini, da UMC, as formigas de serapilheira foram usadas como um marcador biológico para verificar a capacidade de recuperação de áreas uma vez cobertas por Mata Atlântica nativa.

Na região escolhida para a análise foram pesquisados três tipos de ambientes: áreas em que a Mata Atlântica foi retirada para a plantação de eucaliptos, ainda em atividade; áreas em que o plantio foi desativado entre 28 e 30 anos atrás por pressões conservacionistas ou dificuldade de manejo; e unidades de conservação (UC) com mata nativa.

Nas áreas nunca desmatadas, foi possível encontrar, por metro quadrado, cerca de 25 espécies de formigas de serapilheira – do total de mais de 200 existentes. Nas florestas de eucaliptos, por outro lado, o número não passou de cinco por metro quadrado. “Essa diferença se dá por vários fatores, mas principalmente porque as folhas de eucalipto se decompõem mais lentamente e têm altos teores de tanino, que é tóxico para muitos organismos que servem de alimento para as formigas”, disse Morini, professora do curso de Ciências Biológicas da UMC.

Já em regiões onde a plantação foi desativada há cerca de 30 anos e a Mata Atlântica voltou a ocupar espaço, a média encontrada foi de 18 espécies por metro quadrado – sinal de que a mata foi capaz de se recuperar, assim como a fauna da região. A pesquisadora escolheu estudar regiões em que a plantação estava desativada havia cerca de 30 anos – ehavia várias delas -, permitindo a obtenção de dados mais seguros (por serem coletados em mais de uma área).

Para fazer a contagem, Morini trabalhou de julho de 2010 a julho de 2013 especialmente na região da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Seu grupo de pesquisadores demarcava áreas de um metro quadrado de serapilheira – fosse em área de plantação de eucalipto, mata nativa ou plantação abandonada – e levava o material para o laboratório, onde as formigas eram contadas. Para cada área estudada foram retiradas seis amostras, totalizando 120 amostras de serapilheira.

Morini trabalhou em sintonia com um grupo de pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) durante a realização dos projetos “Riqueza e diversidade de Hymenoptera e Isoptera ao longo de um gradiente latitudinal de Mata Atlântica – a floresta pluvial do leste do Brasil” e “Biodiversity of Isoptera and Hymenoptera”, sob a coordenação dos professores Carlos Roberto Ferreira Brandão e Eliana Cancello. “Toda a metodologia que usei foi discutida para que os resultados pudessem ser comparados. Eu participava das reuniões para aprender o desenho amostral e as técnicas de coleta que seriam usadas no projeto deles e assim fazer no meu”, contou Morini.

Estudo sobre a microbiota

Em outro trabalho, intitulado “Diversidade de bactérias e de invertebrados e sua influência sobre a estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em áreas de Mata Atlântica”, realizado também entre 2010 e 2013, a pesquisadora avaliou a diversidade de bactérias e de invertebrados e sua influência sobre a estrutura das comunidades de formigas.

A Mata Atlântica na região do Alto Tietê é protegida em áreas de barragens, unidades de conservação (UCs) e propriedades particulares. A pesquisa foi feita em fragmentos dessas áreas buscando avaliar o número de fungos e bactérias das amostras.

As áreas de floresta protegidas pelos órgãos públicos responsáveis pelas barragens e em propriedades particulares que valorizam o conservacionismo têm diversidade similar às UCs – indicando, segundo a pesquisadora, a importância dos fragmentos das barragens e das propriedades particulares para a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica. “Minha pesquisa mostra que não apenas as UCs são importantes para o Alto Tietê, mas também as demais áreas; é preciso criar incentivos para que elas não sejam desflorestadas”, diz Morini.

A microbiota, por meio da decomposição do material orgânico, possibilita a existência de outros invertebrados (acarinas e colêmbolos, por exemplo) que servem de alimento para as formigas. É de se esperar que onde há mais microrganismos também existam mais espécies de formigas. A comprovação da hipótese, no entanto, ainda precisa ser feita.

“Ainda não podemos afirmar nada sobre a associação da microbiota e a riqueza de formigas. Esperamos fechar em breve o modelo que foi proposto no projeto”, disse Morini à Agência FAPESP.

Os resultados das duas pesquisas coordenadas por Morini devem ser publicados até o fim deste ano. “Por enquanto, estamos preparando um manuscrito para a Biological Conservation”, disse Morini.

Resultados parciais já renderam publicações como: Undecomposed twigs in the leaf litter as nest-building resources for ants (Hymenoptera: Formicidae) in areas of the Atlantic Forest in the southeastern region of Brazil, de Morini e outros, que pode ser lido na Psyche;Characterization of ant communities (Hymenoptera: Formicidae) in twigs in the leaf litter of the Atlantic Rainforest and eucalyptus trees in the southeast region of Brazil, de Morini e outros, que também está disponível na Psyche; e Occurrence and natural history of Myrmelachista Roger (Formicidae: Formicinae) in the Atlantic Forest of southeastern Brazil, de Morini e outros, publicado na Revista Chilena de Historia Natural.

Imagens

Durante suas pesquisas, Morini fotografou em laboratório e catalogou 235 espécies de formigas que vivem no Alto Tietê, no âmbito do projeto “Coleção biológica da fauna de formigas do Alto Tietê: organização de um acervo fotográfico”.

O resultado poderá ser visto em um catálogo com previsão de publicação para abril de 2014. Além das fotos, haverá textos contextualizando o ambiente em que essas formigas vivem, escritos por vários colaboradores, como Ramon Luciano de Melo, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), e Jacques Delabie, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

A publicação abordará as coleções biológicas e a conservação da biodiversidade. O catálogo está sendo organizado por Morini; Silvia Sayuri Suguituru, também da UMC; Rodrigo Feitosa, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e Rogério Rosa Silva, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi. “Quero mostrar para todos, não apenas para os estudiosos, que a formiga é bonita morfologicamente. Ela não é uma praga e ajuda a área de mata. Com essa conscientização, espero que a sociedade ajude a protegê-las também”, diz Morini.

Morini estuda as formigas de serapilheira há mais de uma década e parte das conclusões a que chegou por meio de outros projetos também está no livro Serra do Itapeti: aspectos históricos, sociais e naturalísticos (Canal 6 Editora), organizado por ela e por Vitor Fernandes Oliveira de Miranda, e lançado em 2012.

Os 1.500 exemplares da obra foram distribuídos gratuitamente a instituições de ensino do Alto Tietê e ONGs. Está disponível para download em www.canal6.com.br/site/download. O livro ajuda a fomentar novas discussões sobre o assunto. De acordo com a pesquisadora, os dados sobre biodiversidade que a obra traz estão sendo usados para a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Itapeti, na região de Mogi das Cruzes.

Mirmecologia, a ciência das formigas

A professora Inara Leal, da Universidade Federal de Pernambuco, concedeu entrevista ao Observatório da Imprensa e falou um pouco sobre a Mirmecologia. Confira a entrevista que foi publicada após o Simpósio de Mirmecologia.

Link para a entrevista

Por Felipe A. P. L. Costa em 17/12/2013 na edição 777

Entre os dias 1 e 5 de dezembro, cerca de 300 estudiosos (entre professores, pesquisadores e estudantes) estiveram reunidos na Universidade Estadual do Ceará, em Fortaleza (CE). Foram até lá participar do XXI Simpósio de Mirmecologia, um dos mais interessantes – e talvez um dos mais promissores – eventos científicos da área biológica que são realizados periodicamente no país. Encontros desse tipo permitem que os integrantes da comunidade acadêmica interajam entre si, não apenas ouvindo ou ministrando conferências, mas também ponderando a respeito dos avanços recentes, detectando carências e problemas e estabelecendo novas metas para o futuro da área.

A mirmecologia é um campo especializado da entomologia e, como tal, tem uma longa tradição entre nós. Entre os entomólogos que se dedicaram ao estudo das formigas brasileiras, caberia aqui mencionar os nomes de Thomas Borgmeier (1892-1975), Mário Paulo Autuori (1906-1982), Cincinnato R. [Rory] Gonçalves (1909-1985), Walter W. [Wolfgang] Kempf (1920-1976) e Francisco A. [Assis] M. [Menezes] Mariconi (1925-2008). Caberia ainda ressaltar que dois dos mais renomados periódicos científicos já editados no país, a Revista de Entomologia (1931-1951) e a Studia Entomologica (1952-1978), gravitaram muito em torno de trabalhos mirmecológicos.

Fui alertado para o evento em Fortaleza por uma mensagem que recebi da professora Inara Roberta Leal (UFPE), integrante da comissão organizadora. (Nós nos conhecemos no início da década de 1990, mas foi só a partir de 2004 que passamos a manter contato por correio eletrônico.) Eu até então não havia lido nada na mídia, nem mesmo na imprensa especializada. Fiquei intrigado e, dada a importância da notícia, escrevi para ela, solicitando uma entrevista. Ela se dispôs a responder minhas perguntas, pedindo apenas que eu esperasse o simpósio passar. Nos próximos parágrafos, o leitor deste Observatório poderá conferir o resultado da nossa conversa.

A variedade de formigas

Quantas espécies de formigas já foram descritas em todo o mundo? Quantas espécies viventes os estudiosos estimam que existam?

Inara Roberta Leal – Existem em todo o mundo 15.738 espécies válidas de formigas (para mais detalhes, ver o sítio [em inglês] AntWeb). Contudo, novas espécies são descritas frequentemente e estima-se que haja um total de mais de 20 mil espécies viventes.

O que é mirmecologia? Por que um encontro de mirmecologia?

I.R.L. – Mirmecologia é o estudo das formigas. O Brasil é conhecido por sua extraordinária diversidade de espécies de formigas e há muitas décadas nossos cientistas estão dedicados a estudar vários aspectos do grupo, desde sistemática, história natural, comportamento, ecologia, interações com plantas, até fatores que influenciam o número e a composição de espécies de comunidades de formigas nos diferentes ecossistemas brasileiros.

No material do evento previamente divulgado (Anais/Proceedings, p. 5; ver aqui, clique depois em “downloads” e, por fim, em “Complete Proceedings” [~6,5Mb]), lemos o seguinte:

“O Simpósio de Mirmecologia é um evento bienal que tem como meta fundamental incentivar e divulgar a pesquisa sobre a fauna tropical, em particular neotropical, de formigas. Ele reúne os especialistas do Brasil e do exterior, e de um modo geral, profissionais e alunos, que usam as formigas como modelos de investigação em importantes áreas da biologia […].

Ao longo dos seus mais de 30 anos de existência, o Simpósio de Mirmecologia, [inicialmente] denominado Encontro de Mirmecologia, evoluiu de um evento a caráter regional (estado de São Paulo) a um evento do qual participam pesquisadores e alunos de todos os estados do Brasil. Nas suas últimas edições, o evento adquiriu um caráter resolutamente internacional, com uma importante participação de pesquisadores, e até alunos, de outros países e continentes. A 21ª edição do Simpósio de Mirmecologia pretende manter e consolidar essas características.

O programa do evento será composto por oito conferências plenárias e 16 mesas-redondas, além de sessões de apresentação de trabalhos sob a forma de comunicações orais ou de painéis. […]”

Embora a maioria dos participantes fosse composta de estudiosos que nasceram e/ou trabalham no país, todas as oito conferências plenárias foram proferidas por pesquisadores estrangeiros. Qual seria a explicação para essa aparente distorção?

I.R.L. – Como descrito acima, o Simpósio de Mirmecologia foi inicialmente um evento regional (do estado de São Paulo). Passou depois a contar com a colaboração de pesquisadores e estudantes de todo o Brasil e, atualmente, temos convidado especialistas nas diferentes áreas do conhecimento de diferentes países para participarem do evento. Sendo assim, trata-se de um evento internacional organizado por brasileiros. Além disso, o evento deste ano foi organizado por diferentes professores/pesquisadores da região Nordeste, os quais convidaram colaboradores estrangeiros que julgavam trazer novidades interessantes a respeito de certos temas de estudo. Dessa forma, quando a programação ficou pronta, coincidentemente, todos os conferencistas convidados eram estrangeiros. Em compensação, a maioria das 16 mesas-redondas (quatro palestrantes por mesa, o que dá um total de 64 palestrantes) era composta por pesquisadores brasileiros (professores e estudantes!), de forma que muitos brasileiros participaram do evento dando palestras e mostrando seus estudos mais recentes.

Eu fui uma das organizadoras do evento e participei da elaboração da programação, convidando dois pesquisadores estrangeiros para proferir plenárias, o australiano Alan Andersen [ver aqui <http://www.csiro.au/en/Organisation-Structure/Divisions/Ecosystem-Sciences/AlanAndersen.aspx>] e o sul-africano William Bond [ver aqui <http://www.biologicalsciences.uct.ac.za/staff_page.php?staff_id=363>]. O dr. Andersen e eu temos um projeto em colaboração. Estamos investigando como a origem biogeográfica da fauna de formigas de duas regiões semiáridas (norte da Austrália e nordeste do Brasil) pode ser responsável pelas diferenças nas respostas das comunidades frente a perturbações antrópicas e mudanças climáticas nesses dois continentes. Vários estudantes brasileiros estão fazendo doutorado parcial (bolsa sanduíche da CAPES e CNPq) ou total (bolsa de doutorado pleno do Programa Ciência sem Fronteira) dentro desse projeto conjunto. Quanto ao dr. Bond, a ideia de convidá-lo surgiu no ano passado, no Encontro Anual da Associação para Biologia Tropical e Conservação (ATBC, na sigla em inglês) [ver aqui], em Bonito (MS), durante uma conversa sobre o papel do fogo como pressão evolutiva nas savanas africanas, onde é muito importante, e na caatinga, onde é irrelevante. Sendo assim, os temas das plenárias desses dois pesquisadores foram extremamente relevantes, pois lidaram com comparações intercontinentais, o que acredito ser de grande importância para estudos ecológicos e evolutivos que envolvam formigas, ou qualquer outro grupo de organismos tão amplamente distribuídos.

Para finalizar este ponto, tenho de confessar que me entristece um pouco que, assim como você, outros pesquisadores brasileiros tenham estranhado (ou até criticado) o fato das plenárias serem todas proferidas por estrangeiros.

O interesse pelas formigas

Por que tanto interesse em torno das formigas? O impacto econômico das espécies invasoras e, no caso do Brasil, das cortadeiras (também conhecidas como saúvas e quenquéns), seriam os principais fatores responsáveis por isso?

I.R.L. – Creio que, no passado, foi sim este aspecto mais aplicado dos estudos das formigas que motivou a organização dos primeiros encontros. Contudo, atualmente, eu diria que são minoria os estudos sobre impactos econômicos e controle de pragas. Se não estou enganada, houve apenas uma mesa-redonda sobre controle biológico de formigas em todo o evento. Os estudos hoje em dia estão interessados em questões mais ecológicas (e.g., o resultado da interação de saúvas e plantas é sempre negativo ou alguns grupos de plantas são beneficiados? É possível monitorar adequadamente a regeneração de áreas perturbadas a partir das espécies de formigas que encontramos nelas?) e evolutivas (e.g., como as formigas desenvolveram a agricultura, milhões de anos antes dos seres humanos? Como evoluiu o comportamento social das formigas?), a respeito das quais esses organismos podem nos ensinar muito.

Arrisco dizer que, do ponto de vista de alguns leitores, existem apenas dois tipos de formigas: as que roubam açúcar (e outros itens domésticos) e as que se “alimentam” de folhas. Você poderia falar um pouco sobre os hábitos alimentares desses insetos e sobre os papéis que eles desempenham nas teias alimentares?

I.R.L. – As formigas são um dos grupos de organismos dominantes do planeta, tanto numérica quanto ecologicamente. A abundância desses organismos é superior a qualquer outro grupo de animal terrestre, incluindo vertebrados, somando mais de 15% da biomassa total de animais na maioria dos ecossistemas terrestres (FITTKAU & KLINGE 1973). Esta inequívoca dominância numérica levou ao reconhecimento da importância ecológica das formigas. Elas modificam a ciclagem de nutrientes, enriquecendo o solo com as lixeiras das colônias e transferindo nutrientes para camadas mais profundas do solo durante a construção e relocação dos ninhos (WIRTH et al. 2003). As saúvas consomem uns 15% de toda a biomassa vegetal (envolvendo até 50% das espécies de plantas que compõem a flora do local) presente em suas áreas de forrageio, criando clareiras no dossel da floresta e aumentando assim a quantidade de luz que incide no solo; isso modifica a estrutura das comunidades vegetais (BIEBER et al. 2013). Algumas espécies atuam como dispersores de sementes, influenciando a distribuição espacial das populações vegetais, enquanto outras atuam como predadores de artrópodes que vivem no solo, influenciando a riqueza e composição de espécies desses organismos.

Formigas são insetos sociais ou, mais precisamente, eussociais. Recentemente veio à tona um acirrado debate a respeito da evolução da eussocialidade. De um lado, estava o biólogo estadunidense E. O. Wilson, ele próprio um renomado estudioso de formigas, junto com dois colegas matemáticos (NOWAK et al. 2010); de outro, um amplo e variado leque de estudiosos (ABBOT et al. 2011). Alguns dos participantes do simpósio em Fortaleza estão eles próprios envolvidos com esse assunto. Você poderia nos explicar quais são as características que definem um animal como eussocial?

I.R.L. – Basicamente, os animais eussociais compartilham três atributos: (1) sobreposição de gerações, o que significa que parentais e prole convivem em um mesmo ninho; (2) cuidado cooperativo com a prole, ou seja, a geração de parentais cuida, em conjunto, de sua prole; e (3) divisão de tarefas, havendo castas reprodutivas (as “rainhas”) e castas estéreis (as “operárias”). As rainhas se encarregam de colocar os ovos para manter a colônia viva por muito mais tempo do que viveriam as operárias individualmente. E as operárias fazem as demais tarefas que garantem a vida em colônia, como cuidar da prole, limpar o ninho, buscar alimento e defender a colônia contra inimigos naturais.

Outros grupos de insetos

Você acha que os diferentes grupos de insetos estão sendo adequadamente assistidos pela comunidade científica? Tenho a impressão, por exemplo, de que há um “excesso” de gente estudando dípteros (moscas, mosquitos, pernilongos etc.), enquanto coleópteros e lepidópteros (notadamente mariposas) careceriam de mais pessoal. O que você pensa disso? No caso da ordem Hymenoptera, você acha que as formigas (Formicidae), as abelhas (Apoidea) e as vespas (demais integrantes da ordem) estão atraindo estudiosos em números e proporções adequados?

I.R.L. – Certamente, alguns organismos são mais estudados que outros. É o caso, por exemplo, de mamíferos e aves entre os vertebrados; orquidáceas, cactáceas e bromeliáceas, entre as plantas com flores(angiospermas). Entre os insetos, não acho que coleópteros e lepidópteros (borboletas) sejam pouco estudados. Você está certo quanto às mariposas, que também compõem a ordem dos lepidópteros.

Os besouros escarabeíneos (rola-bostas), por exemplo, são um dos grupos mais estudados do ponto de vista de respostas à fragmentação de hábitats. Várias famílias de besouros também são bem estudadas, como os coccinelídeos (joaninhas) e os carabídeos, predadores notórios de certas pragas agrícolas. E as borboletas, por serem grandes e vistosas, atraem a atenção não só de cientistas, mas também de naturalistasamadores. O tamanho grande das asas e seu padrão de coloração ajudam na identificação e estabelecimentos das relações de parentesco entre as espécies, tornando as borboletas um dos grupos de insetos mais bem estudados de um ponto de vista sistemático e evolutivo.

Esses dois grupos, juntamente com as formigas, são bons indicadores biológicos e existem algumas publicações sobre essa questão (e.g., FREITAS et al. 2006). Quanto aos insetos sociais (abelhas, vespas, formigas e cupins), estes realmente atraem muitos estudiosos, devido, possivelmente, ao complexo sistema de comunicação que requer a vida social. Há, inclusive, uma organização científica internacional dedicada exclusivamente aos insetos sociais, a União Internacional para Estudo dos Insetos Sociais (IUSSI, na sigla em inglês) [ver aqui], a qual organiza reuniões anuais e publica um periódico científico, a revista Insectes Sociaux [ver aqui].

Em diversos países, algumas instituições (zoológicos, centros de pesquisa etc.) mantêm formigueiros artificiais abertos à visitação. Conheço até mesmo o caso de uma empresa alemã que comercializa formigas por via postal. Em que cidade brasileira o leitor poderia encontrar um belo formigueiro aberto à visitação pública?

I.R.L. – Vários pesquisadores mantêm formigueiros em seus laboratórios. Esse é o caso, por exemplo, dos professores Paulo Sérgio Oliveira (Unicamp), Carlos Roberto Brandão (USP), Luís Carlos Forti (Unesp de Botucatu) e Odair Bueno (Unesp de Rio Claro), só para citar alguns. No Museu de Zoologia da Unicamp [ver aqui] há um sauveiro muito grande e bem cuidado que é exposto à visitação pública ao longo de todo o ano. Fica em uma sala muito bem ilustrada, com diversas informações sobre biologia de formigas. Vale a pena visitar.

Mas manter uma colônia de formigas em laboratório não é fácil. É necessário manter condições estáveis de temperatura e umidade, oferecer alimento natural (animais vivos ou folhas, dependendo da espécie de formiga) e sintético (um tipo de pudim feito de ovo, mel, vitaminas, água e ágar), além de cuidar da limpeza das colônias. Eu mesma já mantive colônias em laboratório, mas de formigas predadoras, com colônias pequenas e pouco complexas. As formigas cortadeiras são extremamente difíceis de manter em laboratório, por causa dos seus fungos simbiontes, que morrem com muita facilidade. Quanto às formigas comercializadas por via postal pela empresa alemã, que você citou, são todas operárias, de forma que morrem muito rapidamente, não é possível mantê-las em laboratório por muito tempo.

Fotografei uma formiga e gostaria de identificá-la. O que você sugere que eu faça?

I.R.L. – Procure o sítio AntWeb, anteriormente citado, e entre em contato com os pesquisadores (três deles estiveram em Fortaleza). Eles tentarão identificá-la.

A literatura mirmecológica

Que livro (em português) você indicaria ao leitor interessado em conhecer um pouco mais a respeito do mundo das formigas? Para os leigos, os livros de DIEHL-FLEIG (1995) e GORDON (2002), seriam duas boas indicações? No caso das formigas cortadeiras, o livro de MARICONI (1970) ainda é uma referência valiosa?

I.R.L. – Até onde sei, não há livros em português, sobre formigas em geral, mais recentes do que os que você citou. Sobre formigas cortadeiras, porém, saiu recentemente a segunda edição de uma obra bastante atual e abrangente de autoria da professora Terezinha Della Lucia, da Universidade Federal de Viçosa (DELLA LUCIA 2011). Há alguns anos, eu li uma trilogia, O império das formigas (editora Bertrand Brasil), bastante interessante sobre a vida desses insetos. Trata-se de ficção científica, um romance de aventura, para ser mais precisa. Mas antes de escrever a obra, o autor, Bernard Werber [ver aqui], um romancista e jornalista de ciência francês, pesquisou durante 15 anos o mundo das formigas. Os três volumes se chamam, respectivamente, As formigas (2008), O dia das formigas (2008) e A revolução das formigas (2009). É uma boa leitura; eu recomendo!

Para encerrar, quando e como você passou a se interessar por formigas?

I.R.L. – Eu nasci em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, e sempre gostei da vida próxima ao mar, inclusive dos organismos marinhos. Quando estava na graduação, na Universidade Federal de Santa Catarina, ao contrário da maioria dos estudantes, que pensava em estudar vertebrados, eu tinha uma preferência por invertebrados e tentei estagiar com crustáceos. No entanto, não havia nenhum professor que trabalhasse com crustáceos e então entrei em contato com o professor de entomologia, que me ofereceu a possibilidade de estagiar com formigas. Desde então fui conhecendo mais a respeito de história natural, ecologia e comportamento desses insetos tão interessantes, e nunca parei de estudá-los.

Quer fazer algum comentário adicional?

I.R.L. – Muito obrigada pela oportunidade de falar um pouco sobre o Simpósio de Mirmecologia, sobre os estudos desenvolvidos dentro e fora do Brasil e apresentar algumas informações a respeito desses insetos tão impressionantes. Espero ter despertado em alguns dos leitores a curiosidade de saber mais sobre as formigas ou, quem sabe, até mesmo a vontade de se tornar um mirmecólogo.

Referências citadas

** ABBOT, P. & outros 136 coautores. 2011. Inclusive fitness theory and eusociality. Nature 421: E1-4.

** BIEBER, A. G. D. & outros 4 coautores. 2013. Os múltiplos efeitos das saúvas. Ciência Hoje 307: 28-33.

** DELLA LUCIA, T. M. C. 2011. Formigas-cortadeirasDa bioecologia ao manejo, 2a edição. Viçosa, Editora da UFV.

** DIEHL-FLEIG, E. 1995. Formigas: organização social e ecologia comportamental. São Leopoldo, Editora Unisinos.

** FITTKAU, E. J. & KLINGE, H. 1973. On biomass and trophic structure of the Central Amazonian rain forest ecosystem. Biotropica 5: 2-14.

** FREITAS, A. V. L. & outros 3 coautores. 2006. Insetos como indicadores de conservação da paisagem. In: Rocha, C. F. D. & outros 3 coautores (Orgs.). Biologia da conservação: Essências. São Carlos, RiMa Editora.

** GORDON, D. 2002. Formigas em ação. Rio de Janeiro, Jorge Zahar.

** MARICONI, F. A. M. 1970. As saúvas. São Paulo, Ceres.

** NOWAK, M. A.; TARNITA, C. E. & WILSON, E. O. 2010. The evolution of eusociality. Nature 466: 1057–62.

** WIRTH, R. & outros 4 autores. 2003. Herbivory of leaf-cutter ants: A case study of Atta colombicain the tropical rainforest of Panama. Berlin, Springer.

Inara Roberta Leal é graduada em Ciências Biológicas (UFSC, 1990), com cursos de pós-graduação em Ecologia (Unicamp, 1994 e 1998); trabalha na Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, desde 2002. Autora de inúmeros artigos técnicos e de divulgação, suas pesquisas incluem estudos a respeito da ecologia de interações entre plantas e formigas, notadamente o papel e o impacto que as cortadeiras têm sobre a estrutura e o funcionamento de comunidades ecológicas (e.g., BIEBER et al. 2013).

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Felipe A. P. L. Costa é biólogo e escritor, autor, entre outros, de Ecologia, evolução & o valor das pequenas coisas (2003)